«Les mots qui vont surgir savent de nous des choses que nous ignorons d’eux.»
-René Char

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Bernard Stevens num sugestivo artigo de 19951 situa o empreendimento de Wittgenstein em relação a nossa época. Introduz o tema fazendo uma longa referência à tendência anti-fundacionalista de nossa época, — que de resto, atesta tão-somente a sua tendência anti-metafísica. Para tanto se refere longamente a um ensaio de Jean Ladrière2. O ensaio de Ladrière teria pintado um quadro exato das tendências epocais do pensamento do século XX; para ele o início de nosso século teria expressado três empreendimentos especulativos que visavam de forma essencial a "ideia de fundação", a saber, a metamatemática (como expansão da "metodologia das ciências dedutivas" como asseverou Tarski3 ), o atomismo lógico e a fenomenologia. A metamatemática de Hilbert, enquanto formalização das matemáticas4, que desejara dar às matemáticas uma "base sólida de onde pudessem derivar operações perfeitamente controláveis e evidentes", e que o próprio Wittgenstein, nos anos 1929-1931, viria a desconfiar da legitimidade do termo.

"Posso jogar o xadrez de acordo com certas regras. Mas também posso inventar um jogo no qual jogo com as mesmas regras. As peças em meu jogo agora são as regras do xadrez e as regras do jogo, digamos, são as regras da lógica. Neste caso tenho ainda outro jogo e não um metajogo. O que Hilbert faz é matemática e não metamatemática. É outro cálculo. apenas como qualquer outro."5

O atomismo lógico de Russell que igualmente desejara fornecer o modelo lógico de um empreendimento que levasse ao esclarecimento de "todas as operações possíveis do pensamento". E, por fim, a fenomenologia de Husserl ambicionara a tarefa da reconstrução integral e radical da experiência. Em todos estes empreendimentos se observou a busca de uma "região" que funcionasse como um fundamento a partir do qual uma disciplina fosse construída, mas de maneira que dela estivesse excluída toda ambiguidade. Mas, ao fim e ao cabo, conclui Ladrière, tudo isso se encerrou num como que questionamento da ideia de fundamento. A metamatemática se bateu contra as limitações do formalismo, o atomismo lógico terminou num abandono da investigação dos elementos últimos em benefício de uma "concepção contextual", e o próprio projeto husserliano foi bastante reorientado para uma hermenêutica inesgotável da existência e da história. Ladrière nota ainda que o próprio "campo científico" acompanha tal tendência, que ele chama de um "processo mais profundo", de um retrait du fondement. Assevera nosso autor: os fenômenos da ciência até podem ser interpretados num corpo teórico que sustente uma certa coesão interna, inobstante esta teoria jamais alcançará um substrato indubitável.

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A ideia mesma de um fundamento seria a consequência óbvia de uma "ontologia da substância", tal como foi concebida pela metafísica ocidental. Stevens acredita que esta ontologia se acha na estrutura da língua. Sobretudo, em seu papel "atributivo", a substância é o suporte do atributo. O suporte (ou o sujeito) é sempre a base de propriedades mutáveis e não-essenciais que podemos atribuir às coisas. O sujeito da proposição, a substância, é sempre autárquico. diz Stevens:

"Seja numa lógica das proposições ou de uma ontologia do real, o que é investigado na cadeia das proposições, onde um suporte se apóia cada vez sobre um outro mais fundamental, é bem a regressão até um suporte que seja um termo último de ancoragem."6

Este suporte, ou mesmo, esta substância, é uma entidade real e irredutível, — que, absolutamente autônoma e numa "auto-posição", se descobre como o termo de uma caminhada, seja ela analítica ou sintética. A substância nestes termos não poderia ser outra coisa senão fundamento. O que foi sacudido nesta ideia de fundamento foi este caráter de irredutibilidade, e sua pretensão a ser uma dimensão autárquica. Com efeito, está totalmente fora das pretensões de nosso século a "parada na regressão a qualquer fundamento último". Só estamos autorizados a falar agora, diz Ladrière, numa configuration stabilisée, o saber humano só poderá aspirar a uma "concreção fugaz". Porque o ser não é mais a forma primordial que põe autarquicamente, tal como uma potência fundadora última, mas sim o que "se torna (advient), mas sem que esse devir (advenir) possa ser ligado à operação de uma origem".

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Seguindo os passos do ensaio de Ladrière, Stevens ressalta que o "signo-testemunho" e mais arquetípico da mutação epocal que se descortinou em nosso século está sem dúvida na "virada operada no seio da filosofia linguística", — a virada de uma "redução logicista" para uma "analítica contextual". É aqui que a análise de Stevens encontra a filosofia de Wittgenstein, relativamente a filosofia heideggeriana marcadamente desveladora de uma "interpretação global do destino da filosofia ocidental":

"Assim se precisa nosso empreendimento a partir do quadro geral de uma descrição do fenômeno contemporâneo da "retirada do fundamento", nós retemos deste fenômeno, de uma parte a figura que parece ser o sintoma mais evidente (Wittgenstein), e de outra, aquele que parece ter operado a auto-interpretação historial mais lúcida (Heidegger)."7

O cotejamento das filosofias de Heidegger e Wittgenstein, acredita Stevens, deve ser seguido a parir do caminho aberto pelo célebre trabalho de Karl Apel8, — confrontá-los dentro de um movimento de ultrapassamento da metafísica tradicional9. Mas sem jamais perder de vista filiação de Wittgenstein à tradição filosófica anglo-saxônica.

O atomismo lógico foi uma formulação muito mais afeita aos temas da epistemologia, ou se quisermos, — ainda que polêmico — da ontologia, do que da lógica propriamente, mesmo que os autores vejam naquele a aplicação das formulações lógicas anteriores de Russell. Nas palavras do próprio autor, seria esta lógica atomística, então:

"Quando digo que minha lógica é atomística, quero dizer que compartilho da crença comum (common-sense belief) que há muitas coisas separadas; não observo a aparente multiplicidade do mundo como consistindo meramente em fases e divisões irreais de uma Realidade única e indivisível."10

Estes átomos ou facts, seriam, elementos últimos, como que the sort of last residue in analysis:

"A razão que chamo minha doutrina atomismo lógico é porque os átomos que desejo alcançar, como que a forma de último resíduo na análise, são átomos lógicos e não átomos físicos." 11

O Tractatus Logico-Philosophicus foi a tentativa mais significativa e, ao mesmo tempo, mais ambígua de sistematizar a filosofia do atomismo lógico. Foi o momento em que a civilização ocidental parecia ter suas bases "bases espirituais" destruídas, que o Tractatus Logico-Philosophicus encontrou o seu pano de fundo histórico. Nunca o Ocidente conhecera de tão radical questionamento de suas bases de pensamento. Enquanto se observou ações marcadamente niilistas, o Tractatus Logico-Philosophicus surgia, então, como uma tentativa de erigir um fundamento para o saber, fazendo com que de certa forma a ideia de fundação estivesse aí presente e com toda a força. No entanto, há uma ambiguidade em todo este projeto, adverte-nos Stevens. Apesar da aparência de uma ambição fundadora, o Tractatus Logico-Philosophicus já preparava a "retirada do fundamento".

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Stevens mostra que o Tractatus se liga a uma tradição que atara a filosofia à lógica, — e a lógica refere-se mais intimamente à linguagem. O prefácio do Tractatus é lapidar ao dizer que o questionamento dos problemas filosóficos "repousa na má compreensão da lógica de nossa linguagem"12. O problema da filosofia terá de ser resolvido, por conseguinte, em termos de linguagem. Se a filosofia se ocupa do que é mostrável, mas indizível, já as ciências naturais podem se ocupar do que pode ser dito. Com efeito, não é tarefa da filosofia a elaboração de um saber, tal como nos diz a conhecida démarche wittgensteiniana: a filosofia não é uma ciência natural, e nunca poderá estar "ao lado das ciências naturais", — "a finalidade da filosofia é o esclarecimento lógico dos pensamento", por isso o resultado desta "atividade" não resultará em proposições, mas sim no seu esclarecimento13; acrescenta Stevens: o esclarecimento das "proposições onde se exprime o pensamento":

"[A filosofia] determina os limites das ciências; ela deve determinar do interior os limites do que pode ser pensado, e, por aí, ela "significa" (bedeuten) o indizível."14

O Tractatus seguindo a tradição do atomismo lógico russelliano procurou estabelecer uma espécie de linguagem perfeita e suas relações com o mundo: "ambos os 'indivíduos' de Russell e meus 'objetos' (Tractatus Logico-Philosophicus) foram tais elementos primários", enfatizou Wittgenstein nas suas Investigações Filosóficas15. Uma "língua logicamente perfeita", define Stevens, é uma língua composta de elementos simples (os símbolos) tendo um sentido ou referência que não admite ambiguidade e que, enfim, deve ser regida por regras de combinação que visam evitar toda contradição. Tal é o "ideal de toda a linguagem", e ela deve se aproximar deste desiderato. Nesta relação da linguagem com o real, se a linguagem pode negar ou afirmar os fatos, deve haver, conclui ainda Stevens, uma espécie de "comunidade de estrutura entre a proposição e o fato"16. Assim existiria entre a linguagem e a realidade uma comunidade que somente admite ser mostrada, e que jamais poderá ser expressa numa outra linguagem17.

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Todavia o Tractatus gerou uma curiosa situação. Pois o rigor do Tractatus empobrecera a linguagem de tal forma que a linguagem se tornou inepta para dar conta do seu papel primordial: "clarificar o sentido dos enunciados". Desta forma, todas as proposições do Tractatus falam algo sobre o que não pode ser dito, referem-se sempre a uma estrutura comum ao mundo e à proposição; a linguagem em geral e ao mundo enquanto totalidade. Apel, por sua vez, mostra que as sete proposições fundamentais que são estabelecidas no Tractatus contém o "autêntico motivo fundamental" da obra wittgensteiniana "a suspeita de falta de sentido frente a todas as proposições metafísicas"18. As proposições de Wittgenstein não fazem afirmações sobre fatos empíricos do mundo, mas sim fazem "a priori afirmações válidas sobre o mundo em sua totalidade", ou ainda, sobre a maneira da representação do mundo e sobre sua própria condição de possibilidade. Todavia, assevera Apel com a concordância de Stevens, as sete19 teses principais do Tractatus são exemplos claros das proposições sem sentido da metafísica tradicional. A tese que nos diz que o "mundo é tudo que ocorre" e o "o que ocorre, o fato, é o subsistir dos estados de coisas" caem inapelavelmente na suspeita de falta de sentido de todas as proposições da metafísica, pois segundo sua intenção são "afirmações sobre o mundo em sua totalidade", ou seja, sobre a forma a priori do mundo, conclui Apel.

Ora, Wittgenstein está longe de ser um pensador ingênuo, — por isso mesmo Stevens nos diz que a "coisa é tão evidente que é desejada por Wittgenstein"20. A importância ainda de tais démarches é que aqui se anuncia a "virada"; o Tractatus não "diz" ainda que "mostre-o":

"Nesta obra é levada até as suas possibilidades extremas a ambição logicista de toda uma tradição filosófica ocidental herdeira do aristotelismo. Trata-se de estabelecer as condições necessárias para que uma tal ambição pudesse se realizar em função de sua sistemática, de sua coerência interna."21

A "ambição sistemática" do Tractatus repousa numa "vontade de clareza ideal", tal como desejara o logicismo, e, também, a vontade de "auto-fundação" do pensamento. Esta vontade acaba por tomar o lugar do mundo ao representá-lo numa imagem, o que traz uma perda do "fenômeno do mundo". Se o Tractatus de certa forma desmonta a ambição logicista ao reforçá-la, as Investigações Filosóficas condenaram in limine a utilização abusiva da linguagem22. Num dos estudos preliminares para as Investigações Filosóficas, ele afirmara:

"A filosofia, tal como nós usamos a palavra, é a luta contra a fascinação que formas de expressão exercem sobre nós."23

Ou ainda, como é dito nas próprias Investigações Filosóficas:

"A filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento de nosso entendimento pelos meios de nossa linguagem."24

A filosofia, se ainda lhe sobra algo, não deve mais remontar a princípios últimos que desconheçam a própria realidade que aqui se descortina. A crítica das Investigações a um ideal de exatidão recebe exatamente o mesmo tratamento, qual seja, a lógica tornou-se sublime por tal ideal, por uma profundidade especial, uma "significação universal", e ela deve portanto estar na base de todas as ciências:

"Pois a investigação lógica explora a natureza de todas as coisas. Procura ver as coisas a fundo, e não deve preocupar-se com isto ou aquilo do acontecimento concreto."25

Ao agir desta forma qualquer investigação recusa uma certa "textura" do real. Mas o ideal de Wittgenstein é outro: queremos, afirma nosso autor no mesmo passo, compreender algo que "já esteja diante de nossos olhos". termina ainda por afirmar:

"A filosofia simplesmente coloca as coisas diante de nós, e nem explica nem deduz nada. — Uma vez que tudo fica em aberto, nada há para explicar.Pois o que é oculto, por exemplo, não nos interessa."26

Não se trata, diz, por fim, Stevens, de regular a linguagem numa lógica que lhe é absolutamente heterogênea, mas sim "de descrever cada jogo de linguagem particular afim de deixar falar o que nele se diz"27.

 

 
Revisão v. 3.150
 
  1. "Wittgenstein dans l'économie de l'histoire de l'être". Manuscrito, 2(1995). Referência on line aqui []
  2. "L'Abîme". In: Savoir, Faire, Espérer. Les Limites de la Raison, Tomo I, publications des Facultés Universitaires Saint-Louis, Bruxelles, 1976, pp.171-191. []
  3. Cf. A. Tarski. Introduction to Logic and the Methodology of Deductive Sciences. New York, Oxford University Press, 1965, p. 140 []
  4. "Há de se distinguir com rigor entre a linguagem simbólica de um cálculo e a linguagem acerca do cálculo, ou seja, a linguagem acerca das expressões, teoremas, etc., do cálculo: esta última linguagem se chama metalinguagem correspondente ao cálculo — que pode ser, ora uma parte da linguagem ordinária ..., ora uma linguagem que esteja por sua vez formalizada, mas então com símbolos inteiramente distintos dos da linguagem do cálculo (assim, a a metamatemática corresponde a algumas matemáticas formalizadas)". D. Hilbert & W. Ackermann. Elementos de Lógica Teórica. Madrid, Tecnos, 1993, pp. 182-3. Cf. também M. Cacciari. Krisis. Ensayo sobre la Crisis del Pensamiento Negativo de Nietzsche a Wittgenstein. México, Siglo Vientiuno, 1983, pp.78ss. []
  5. Philosophical Remarks. Oxford, Blackwell Publishers, 1997, p.319. []
  6. Art. citado, p. 215. []
  7. Art. citado, p.217 []
  8. Cf. trad. espanhola: "Wittgenstein y Heidegger: La pregunta por el Sentido del Ser y la Sospecha de Falta de Sentido contra toda Metafísica". Dianoia, 13(1967), pp.111ss. []
  9. Cf. id., p.113: "O ponto de referência comum em conexão com nosso problema é a colocação em questão da metafísica ocidental como ciência teórica ... desejo comparar Heidegger e Wittgenstein entre si do ponto de vista de que através de ambos, cada um de forma diferente, a metafísica ocidental é colocada em questão". []
  10. "The Philosophy of Logical Atomism". The Monist (Oct 1918, Jan, April, July 1919), p.496. Visite aqui para uma interessante introdução ao atomismo lógico de Russell. []
  11. Id., p.487. []
  12. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo, Companhia Editora Nacional-EDUSP, 1968, p.53. []
  13. Id., p.76 []
  14. Art. cit., p.219 []
  15. Philosophical Investigations (Second Edition). Oxford, Blackwell Publishers, 1997, p.21. []
  16. Art. citado, p.220 []
  17. Cf. The Blue and Brown Books. New York, Harper Torchbooks, 1965, p.17 []
  18. "Wittgenstein y Heidegger...", p.115. Adam Schaff ressaltou que o neopositivismo não foi tão-somente a tese que "somente e apenas a analise da linguagem possibilita a diferenciação entre sentenças com sentido daquelas sem sentido (da metafísica), e que, por conseguinte, a linguagem é o único objeto da filosofia", — mais que isso, trata-se de uma "virada" no próprio objeto do conhecimento filosófico; ver: Sprache und Erkenntnis. Wien, Europa Verlag, 1964, p.55. []
  19. São elas: 1-"O mundo é tudo o que ocorre". 2-"O que ocorre, o fato, é o subsistir dos estados de coisas". 3-"Pensamento é a a figuração lógica dos fatos". 4-"O pensamento é a proposição significativa". 5-"A proposição é uma função de verdade das proposições elementares...". 6-"A forma geral da função da verdade é [p,ξ,N(ξ)]". 7-"O que não se pode falar, deve-se calar". Págs. da tradução brasileira: pp.55, 61, 70, 112 e 129. []
  20. Art. cit., p. 221 []
  21. Art. cit., p.221. []
  22. Como diz Ernest Nagel: "A filosofia tradicional, segundo Wittgenstein, é uma mélange de problemas, sendo alguns genuinamente empíricos, enquanto que outros não mais do que absurdas combinações de palavras devidas confusões gramaticais". La Lógica sin Metafísica. Madrid, editorial tecnos, 1961, p. 179. []
  23. The Blue and Brown Books, p.27. Ver também: M. Cacciari, op. cit., p.89. []
  24. Philosophical Investigations, p.47, §109. []
  25. "For there seemed to pertain to logic a peculiar depth — a universal significance. Logic lay, it seemed, at the bottom of all the sciences. For logical investigation explores the nature of all things. It seeks to see to the bottom of things and is not meant to concern itself whether what actually happens is this or that. It takes its rise, not from an interest in the facts of nature, nor from a need to grasp causal connexions: but from an urge to understand the basis, or essence, of everything empirical. Not, however, as if to this end we had to hunt out new facts; it is, rather, of the essence of our investigation that we do not seek to learn anything new by it. We want to understand something that is already in plain view. For this is what we seem in some sense not to understand." Id., p.42, §89. []
  26. Id., p. 50, §126. []
  27. Art. cit., p.223. []