Um tema que venho me debatendo é o tal direito ao esquecimento digital1. Se não fossemos tão historicamente afeitos a copiar coisas do hemisfério norte, não me importaria tanto com mais esse "modismo" tolo.

Li recentemente artigo de Fabienne Dumontet no Le Monde2 sobre este tema. Ali a autora nos diz que o direito ao esquecimento digital, l'oubli numérique, inquieta aos historiadores. Com toda a razão, pois é um direito individual que se aplicado eliminaria das gerações futuras as memórias vividas.

Diga-se que o tema da "vida privada" é norte-americano por excelência. Lá no fim do século XIX, a empresa Kodak conhece um sucesso tremendamente popular com maquinas fotográficas pequenas baratas e fáceis de usar. Alarmados com esta facilidade em invadir à vida privada-individual, dois juristas norte-americanos, Samuel D. Warren e Louis D. Brandeis em 1890, se rebelam a tal estado de coisas na Harvard Law Review.

That the individual shall have full protection in person and in property is a principle as old as the common law; but it has been found necessary from time to time to define anew the exact nature and extent of such protection.

O artigo permanece famoso, The Right to Privacy3, lançam um conceito jurídico que se enraíza na vida social americana e se quer atual, neste momente onde a "vida privada" parece ameaçada, pelas Redes e seus "pacotes de dados digitais", exibidos mais do que nunca nesta rede poderosa chamada Internet. Para nos proteger deste "abuso", um novo "direito ao esquecimento digital" aparece, que garantiria — a meu ver, catastroficamente — a supressão de nossos dados pessoais à distância.

 
Revisão v. 1.1
 
  1. O tema já foi tratado aqui []
  2. Le "droit à l'oubli numérique" inquiète les historiens. []
  3. Harvard Law Review. Vol. IV, December 15, 1890, No. 5. []