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Month: janeiro 2014 (page 1 of 2)

Informações Básicas no VMS

Listamos abaixo uma série de comando que podem ser usados num sistema VMS para obter informações, por vezes bastante detalhadas sobre rede, hardware em geral, memória e o sistema em si.
Uma parte destes comandos exigirá uma conta system, ou com com privilégios semelhantes. e outra forma o usuário receberá esta resposta do SO:

$ %SYSTEM-F-NOPRIV, insufficient privilege or object protection violation

Vejamos:

  • ANALYZE /SYSTEM: Descreve informações básicas sobre hardware.
  • SHOW CPU /FULL: Apresenta o modelo de CPU e outras informações relacionadas.
  • SHOW LOGICAL SYS$SYSROOT: Mostra onde o sistema inicializou e pode mostrar também configurações do Local Area VAX Cluster (LAVC).
  • SHOW SYSTEM: Mostra o número da versão do sistema operacional. O processo lista a informação sobre os serviços executando neste sistema.
  • SHOW MEMORY: Mostra a quantidade de memória do sistema.
  • SHOW NETWORK & SHOW NETWORK /FULL: Informações sobre a infraestrutura de rede.
  • SHOW CLUSTER: Informações sobre o node & cluster.
  • SHOW LICENSE: Lista o software licenciado no sistema.
  • SHOW LICENSE /UNITS ou SHOW LICENSE/CHARGE: Mostra o número específico de unidades de licença requeridos por categoria pata o tipo de sistema.
  • TYPE SYS$SYSTEM:MODPARAMS.DAT: Mostra o conteúdo do arquivo de sistema MODPARAMS.DAT.
  • PRODUCT SHOW PRODUCT: Lista o software instalado no sistema.
  • SHOW QUEUE /FULL: Lista todos os batch e print queues no sistema.
  • SHOW DEVICE /FULL: Lista todos os dispositivo físicos e lógicos no sistema.

Por exemplo, vejamos a saída de "SHOW MEMORY", com informações completas sobre a posição da memória instalada e usada do sistema:

$ SHO MEM System Memory Resources on 29-JAN-2014 22:11:01.89 Physical Memory Usage (pages): Total Free In Use Modified Main Memory (256.00MB) 32768 6820 24360 1588 Extended File Cache (Time of last reset: 11-JAN-2014 06:08:49.02) Allocated (MBytes) 31.86 Maximum size (MBytes) 128.00 Free (MBytes) 0.00 Minimum size (MBytes) 3.12 In use (MBytes) 31.86 Percentage Read I/Os 96% Read hit rate 91% Write hit rate 0% Read I/O count 8766311 Write I/O count 272644 Read hit count 8035410 Write hit count 0 Reads bypassing cache 9950 Writes bypassing cache 7212 Files cached open 480 Files cached closed 111 Vols in Full XFC mode 0 Vols in VIOC Compatible mode 9 Vols in No Caching mode 0 Vols in Perm. No Caching mode 0 Granularity Hint Regions (pages): Total Free In Use Released Execlet code region 1024 0 928 96 Execlet data region 512 0 285 227 S0S1 Executive data region 796 0 796 0 S0S1 Resident image code region 2048 0 1219 829 Slot Usage (slots): Total Free Resident Swapped Process Entry Slots 225 169 54 2 Balance Set Slots 223 169 52 2 Dynamic Memory Usage: Total Free In Use Largest Nonpaged Dynamic Memory (MB) 10.37 4.91 5.46 0.02 Bus Addressable Memory (KB) 128.00 110.87 17.12 104.00 Paged Dynamic Memory (MB) 2.74 1.43 1.30 1.42 Lock Manager Dyn Memory (MB) 2.88 1.11 1.77 Buffer Object Usage (pages): In Use Peak 32-bit System Space Windows (S0/S1) 17 18 64-bit System Space Windows (S2) 0 4 Physical pages locked by buffer objects 15 16 Memory Reservations (pages): Group Reserved In Use Type Total (0 bytes reserved) 0 0 Write Bitmap (WBM) Memory Summary Local bitmap count: 0 Local bitmap memory usage (bytes) 0.00 Master bitmap count: 0 Master bitmap memory usage (bytes) 0.00 Swap File Usage (8KB pages): Index Free Size DISK$GEIN_SYS:[SYS0.SYSEXE]SWAPFILE.SYS 1 1528 1656 Paging File Usage (8KB pages): Index Free Size DISK$GEIN_SYS:[SYS0.SYSEXE]PAGEFILE.SYS 254 340939 343744 Total committed paging file usage: 16712 Of the physical pages in use, 5675 pages are permanently allocated to OpenVMS.

Referência: http://www.migrationspecialties.com/VMS_INFO.html

 
Revisão v. 1.0
 

Wittgenstein: Lógica, Metamatemática e Linguagem

«Les mots qui vont surgir savent de nous des choses que nous ignorons d’eux.»
-René Char

(1)

Bernard Stevens num sugestivo artigo de 19951 situa o empreendimento de Wittgenstein em relação a nossa época. Introduz o tema fazendo uma longa referência à tendência anti-fundacionalista de nossa época, — que de resto, atesta tão-somente a sua tendência anti-metafísica. Para tanto se refere longamente a um ensaio de Jean Ladrière2. O ensaio de Ladrière teria pintado um quadro exato das tendências epocais do pensamento do século XX; para ele o início de nosso século teria expressado três empreendimentos especulativos que visavam de forma essencial a "ideia de fundação", a saber, a metamatemática (como expansão da "metodologia das ciências dedutivas" como asseverou Tarski3 ), o atomismo lógico e a fenomenologia. A metamatemática de Hilbert, enquanto formalização das matemáticas4, que desejara dar às matemáticas uma "base sólida de onde pudessem derivar operações perfeitamente controláveis e evidentes", e que o próprio Wittgenstein, nos anos 1929-1931, viria a desconfiar da legitimidade do termo.

"Posso jogar o xadrez de acordo com certas regras. Mas também posso inventar um jogo no qual jogo com as mesmas regras. As peças em meu jogo agora são as regras do xadrez e as regras do jogo, digamos, são as regras da lógica. Neste caso tenho ainda outro jogo e não um metajogo. O que Hilbert faz é matemática e não metamatemática. É outro cálculo. apenas como qualquer outro."5

O atomismo lógico de Russell que igualmente desejara fornecer o modelo lógico de um empreendimento que levasse ao esclarecimento de "todas as operações possíveis do pensamento". E, por fim, a fenomenologia de Husserl ambicionara a tarefa da reconstrução integral e radical da experiência. Em todos estes empreendimentos se observou a busca de uma "região" que funcionasse como um fundamento a partir do qual uma disciplina fosse construída, mas de maneira que dela estivesse excluída toda ambiguidade. Mas, ao fim e ao cabo, conclui Ladrière, tudo isso se encerrou num como que questionamento da ideia de fundamento. A metamatemática se bateu contra as limitações do formalismo, o atomismo lógico terminou num abandono da investigação dos elementos últimos em benefício de uma "concepção contextual", e o próprio projeto husserliano foi bastante reorientado para uma hermenêutica inesgotável da existência e da história. Ladrière nota ainda que o próprio "campo científico" acompanha tal tendência, que ele chama de um "processo mais profundo", de um retrait du fondement. Assevera nosso autor: os fenômenos da ciência até podem ser interpretados num corpo teórico que sustente uma certa coesão interna, inobstante esta teoria jamais alcançará um substrato indubitável.

(2)

A ideia mesma de um fundamento seria a consequência óbvia de uma "ontologia da substância", tal como foi concebida pela metafísica ocidental. Stevens acredita que esta ontologia se acha na estrutura da língua. Sobretudo, em seu papel "atributivo", a substância é o suporte do atributo. O suporte (ou o sujeito) é sempre a base de propriedades mutáveis e não-essenciais que podemos atribuir às coisas. O sujeito da proposição, a substância, é sempre autárquico. diz Stevens:

"Seja numa lógica das proposições ou de uma ontologia do real, o que é investigado na cadeia das proposições, onde um suporte se apóia cada vez sobre um outro mais fundamental, é bem a regressão até um suporte que seja um termo último de ancoragem."6

Este suporte, ou mesmo, esta substância, é uma entidade real e irredutível, — que, absolutamente autônoma e numa "auto-posição", se descobre como o termo de uma caminhada, seja ela analítica ou sintética. A substância nestes termos não poderia ser outra coisa senão fundamento. O que foi sacudido nesta ideia de fundamento foi este caráter de irredutibilidade, e sua pretensão a ser uma dimensão autárquica. Com efeito, está totalmente fora das pretensões de nosso século a "parada na regressão a qualquer fundamento último". Só estamos autorizados a falar agora, diz Ladrière, numa configuration stabilisée, o saber humano só poderá aspirar a uma "concreção fugaz". Porque o ser não é mais a forma primordial que põe autarquicamente, tal como uma potência fundadora última, mas sim o que "se torna (advient), mas sem que esse devir (advenir) possa ser ligado à operação de uma origem".

(3)

Seguindo os passos do ensaio de Ladrière, Stevens ressalta que o "signo-testemunho" e mais arquetípico da mutação epocal que se descortinou em nosso século está sem dúvida na "virada operada no seio da filosofia linguística", — a virada de uma "redução logicista" para uma "analítica contextual". É aqui que a análise de Stevens encontra a filosofia de Wittgenstein, relativamente a filosofia heideggeriana marcadamente desveladora de uma "interpretação global do destino da filosofia ocidental":

"Assim se precisa nosso empreendimento a partir do quadro geral de uma descrição do fenômeno contemporâneo da "retirada do fundamento", nós retemos deste fenômeno, de uma parte a figura que parece ser o sintoma mais evidente (Wittgenstein), e de outra, aquele que parece ter operado a auto-interpretação historial mais lúcida (Heidegger)."7

O cotejamento das filosofias de Heidegger e Wittgenstein, acredita Stevens, deve ser seguido a parir do caminho aberto pelo célebre trabalho de Karl Apel8, — confrontá-los dentro de um movimento de ultrapassamento da metafísica tradicional9. Mas sem jamais perder de vista filiação de Wittgenstein à tradição filosófica anglo-saxônica.

O atomismo lógico foi uma formulação muito mais afeita aos temas da epistemologia, ou se quisermos, — ainda que polêmico — da ontologia, do que da lógica propriamente, mesmo que os autores vejam naquele a aplicação das formulações lógicas anteriores de Russell. Nas palavras do próprio autor, seria esta lógica atomística, então:

"Quando digo que minha lógica é atomística, quero dizer que compartilho da crença comum (common-sense belief) que há muitas coisas separadas; não observo a aparente multiplicidade do mundo como consistindo meramente em fases e divisões irreais de uma Realidade única e indivisível."10

Estes átomos ou facts, seriam, elementos últimos, como que the sort of last residue in analysis:

"A razão que chamo minha doutrina atomismo lógico é porque os átomos que desejo alcançar, como que a forma de último resíduo na análise, são átomos lógicos e não átomos físicos." 11

O Tractatus Logico-Philosophicus foi a tentativa mais significativa e, ao mesmo tempo, mais ambígua de sistematizar a filosofia do atomismo lógico. Foi o momento em que a civilização ocidental parecia ter suas bases "bases espirituais" destruídas, que o Tractatus Logico-Philosophicus encontrou o seu pano de fundo histórico. Nunca o Ocidente conhecera de tão radical questionamento de suas bases de pensamento. Enquanto se observou ações marcadamente niilistas, o Tractatus Logico-Philosophicus surgia, então, como uma tentativa de erigir um fundamento para o saber, fazendo com que de certa forma a ideia de fundação estivesse aí presente e com toda a força. No entanto, há uma ambiguidade em todo este projeto, adverte-nos Stevens. Apesar da aparência de uma ambição fundadora, o Tractatus Logico-Philosophicus já preparava a "retirada do fundamento".

(4)

Stevens mostra que o Tractatus se liga a uma tradição que atara a filosofia à lógica, — e a lógica refere-se mais intimamente à linguagem. O prefácio do Tractatus é lapidar ao dizer que o questionamento dos problemas filosóficos "repousa na má compreensão da lógica de nossa linguagem"12. O problema da filosofia terá de ser resolvido, por conseguinte, em termos de linguagem. Se a filosofia se ocupa do que é mostrável, mas indizível, já as ciências naturais podem se ocupar do que pode ser dito. Com efeito, não é tarefa da filosofia a elaboração de um saber, tal como nos diz a conhecida démarche wittgensteiniana: a filosofia não é uma ciência natural, e nunca poderá estar "ao lado das ciências naturais", — "a finalidade da filosofia é o esclarecimento lógico dos pensamento", por isso o resultado desta "atividade" não resultará em proposições, mas sim no seu esclarecimento13; acrescenta Stevens: o esclarecimento das "proposições onde se exprime o pensamento":

"[A filosofia] determina os limites das ciências; ela deve determinar do interior os limites do que pode ser pensado, e, por aí, ela "significa" (bedeuten) o indizível."14

O Tractatus seguindo a tradição do atomismo lógico russelliano procurou estabelecer uma espécie de linguagem perfeita e suas relações com o mundo: "ambos os 'indivíduos' de Russell e meus 'objetos' (Tractatus Logico-Philosophicus) foram tais elementos primários", enfatizou Wittgenstein nas suas Investigações Filosóficas15. Uma "língua logicamente perfeita", define Stevens, é uma língua composta de elementos simples (os símbolos) tendo um sentido ou referência que não admite ambiguidade e que, enfim, deve ser regida por regras de combinação que visam evitar toda contradição. Tal é o "ideal de toda a linguagem", e ela deve se aproximar deste desiderato. Nesta relação da linguagem com o real, se a linguagem pode negar ou afirmar os fatos, deve haver, conclui ainda Stevens, uma espécie de "comunidade de estrutura entre a proposição e o fato"16. Assim existiria entre a linguagem e a realidade uma comunidade que somente admite ser mostrada, e que jamais poderá ser expressa numa outra linguagem17.

(5)

Todavia o Tractatus gerou uma curiosa situação. Pois o rigor do Tractatus empobrecera a linguagem de tal forma que a linguagem se tornou inepta para dar conta do seu papel primordial: "clarificar o sentido dos enunciados". Desta forma, todas as proposições do Tractatus falam algo sobre o que não pode ser dito, referem-se sempre a uma estrutura comum ao mundo e à proposição; a linguagem em geral e ao mundo enquanto totalidade. Apel, por sua vez, mostra que as sete proposições fundamentais que são estabelecidas no Tractatus contém o "autêntico motivo fundamental" da obra wittgensteiniana "a suspeita de falta de sentido frente a todas as proposições metafísicas"18. As proposições de Wittgenstein não fazem afirmações sobre fatos empíricos do mundo, mas sim fazem "a priori afirmações válidas sobre o mundo em sua totalidade", ou ainda, sobre a maneira da representação do mundo e sobre sua própria condição de possibilidade. Todavia, assevera Apel com a concordância de Stevens, as sete19 teses principais do Tractatus são exemplos claros das proposições sem sentido da metafísica tradicional. A tese que nos diz que o "mundo é tudo que ocorre" e o "o que ocorre, o fato, é o subsistir dos estados de coisas" caem inapelavelmente na suspeita de falta de sentido de todas as proposições da metafísica, pois segundo sua intenção são "afirmações sobre o mundo em sua totalidade", ou seja, sobre a forma a priori do mundo, conclui Apel.

Ora, Wittgenstein está longe de ser um pensador ingênuo, — por isso mesmo Stevens nos diz que a "coisa é tão evidente que é desejada por Wittgenstein"20. A importância ainda de tais démarches é que aqui se anuncia a "virada"; o Tractatus não "diz" ainda que "mostre-o":

"Nesta obra é levada até as suas possibilidades extremas a ambição logicista de toda uma tradição filosófica ocidental herdeira do aristotelismo. Trata-se de estabelecer as condições necessárias para que uma tal ambição pudesse se realizar em função de sua sistemática, de sua coerência interna."21

A "ambição sistemática" do Tractatus repousa numa "vontade de clareza ideal", tal como desejara o logicismo, e, também, a vontade de "auto-fundação" do pensamento. Esta vontade acaba por tomar o lugar do mundo ao representá-lo numa imagem, o que traz uma perda do "fenômeno do mundo". Se o Tractatus de certa forma desmonta a ambição logicista ao reforçá-la, as Investigações Filosóficas condenaram in limine a utilização abusiva da linguagem22. Num dos estudos preliminares para as Investigações Filosóficas, ele afirmara:

"A filosofia, tal como nós usamos a palavra, é a luta contra a fascinação que formas de expressão exercem sobre nós."23

Ou ainda, como é dito nas próprias Investigações Filosóficas:

"A filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento de nosso entendimento pelos meios de nossa linguagem."24

A filosofia, se ainda lhe sobra algo, não deve mais remontar a princípios últimos que desconheçam a própria realidade que aqui se descortina. A crítica das Investigações a um ideal de exatidão recebe exatamente o mesmo tratamento, qual seja, a lógica tornou-se sublime por tal ideal, por uma profundidade especial, uma "significação universal", e ela deve portanto estar na base de todas as ciências:

"Pois a investigação lógica explora a natureza de todas as coisas. Procura ver as coisas a fundo, e não deve preocupar-se com isto ou aquilo do acontecimento concreto."25

Ao agir desta forma qualquer investigação recusa uma certa "textura" do real. Mas o ideal de Wittgenstein é outro: queremos, afirma nosso autor no mesmo passo, compreender algo que "já esteja diante de nossos olhos". termina ainda por afirmar:

"A filosofia simplesmente coloca as coisas diante de nós, e nem explica nem deduz nada. — Uma vez que tudo fica em aberto, nada há para explicar.Pois o que é oculto, por exemplo, não nos interessa."26

Não se trata, diz, por fim, Stevens, de regular a linguagem numa lógica que lhe é absolutamente heterogênea, mas sim "de descrever cada jogo de linguagem particular afim de deixar falar o que nele se diz"27.

 

 
Revisão v. 3.150
 
  1. "Wittgenstein dans l'économie de l'histoire de l'être". Manuscrito, 2(1995). Referência on line aqui []
  2. "L'Abîme". In: Savoir, Faire, Espérer. Les Limites de la Raison, Tomo I, publications des Facultés Universitaires Saint-Louis, Bruxelles, 1976, pp.171-191. []
  3. Cf. A. Tarski. Introduction to Logic and the Methodology of Deductive Sciences. New York, Oxford University Press, 1965, p. 140 []
  4. "Há de se distinguir com rigor entre a linguagem simbólica de um cálculo e a linguagem acerca do cálculo, ou seja, a linguagem acerca das expressões, teoremas, etc., do cálculo: esta última linguagem se chama metalinguagem correspondente ao cálculo — que pode ser, ora uma parte da linguagem ordinária ..., ora uma linguagem que esteja por sua vez formalizada, mas então com símbolos inteiramente distintos dos da linguagem do cálculo (assim, a a metamatemática corresponde a algumas matemáticas formalizadas)". D. Hilbert & W. Ackermann. Elementos de Lógica Teórica. Madrid, Tecnos, 1993, pp. 182-3. Cf. também M. Cacciari. Krisis. Ensayo sobre la Crisis del Pensamiento Negativo de Nietzsche a Wittgenstein. México, Siglo Vientiuno, 1983, pp.78ss. []
  5. Philosophical Remarks. Oxford, Blackwell Publishers, 1997, p.319. []
  6. Art. citado, p. 215. []
  7. Art. citado, p.217 []
  8. Cf. trad. espanhola: "Wittgenstein y Heidegger: La pregunta por el Sentido del Ser y la Sospecha de Falta de Sentido contra toda Metafísica". Dianoia, 13(1967), pp.111ss. []
  9. Cf. id., p.113: "O ponto de referência comum em conexão com nosso problema é a colocação em questão da metafísica ocidental como ciência teórica ... desejo comparar Heidegger e Wittgenstein entre si do ponto de vista de que através de ambos, cada um de forma diferente, a metafísica ocidental é colocada em questão". []
  10. "The Philosophy of Logical Atomism". The Monist (Oct 1918, Jan, April, July 1919), p.496. Visite aqui para uma interessante introdução ao atomismo lógico de Russell. []
  11. Id., p.487. []
  12. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo, Companhia Editora Nacional-EDUSP, 1968, p.53. []
  13. Id., p.76 []
  14. Art. cit., p.219 []
  15. Philosophical Investigations (Second Edition). Oxford, Blackwell Publishers, 1997, p.21. []
  16. Art. citado, p.220 []
  17. Cf. The Blue and Brown Books. New York, Harper Torchbooks, 1965, p.17 []
  18. "Wittgenstein y Heidegger...", p.115. Adam Schaff ressaltou que o neopositivismo não foi tão-somente a tese que "somente e apenas a analise da linguagem possibilita a diferenciação entre sentenças com sentido daquelas sem sentido (da metafísica), e que, por conseguinte, a linguagem é o único objeto da filosofia", — mais que isso, trata-se de uma "virada" no próprio objeto do conhecimento filosófico; ver: Sprache und Erkenntnis. Wien, Europa Verlag, 1964, p.55. []
  19. São elas: 1-"O mundo é tudo o que ocorre". 2-"O que ocorre, o fato, é o subsistir dos estados de coisas". 3-"Pensamento é a a figuração lógica dos fatos". 4-"O pensamento é a proposição significativa". 5-"A proposição é uma função de verdade das proposições elementares...". 6-"A forma geral da função da verdade é [p,ξ,N(ξ)]". 7-"O que não se pode falar, deve-se calar". Págs. da tradução brasileira: pp.55, 61, 70, 112 e 129. []
  20. Art. cit., p. 221 []
  21. Art. cit., p.221. []
  22. Como diz Ernest Nagel: "A filosofia tradicional, segundo Wittgenstein, é uma mélange de problemas, sendo alguns genuinamente empíricos, enquanto que outros não mais do que absurdas combinações de palavras devidas confusões gramaticais". La Lógica sin Metafísica. Madrid, editorial tecnos, 1961, p. 179. []
  23. The Blue and Brown Books, p.27. Ver também: M. Cacciari, op. cit., p.89. []
  24. Philosophical Investigations, p.47, §109. []
  25. "For there seemed to pertain to logic a peculiar depth — a universal significance. Logic lay, it seemed, at the bottom of all the sciences. For logical investigation explores the nature of all things. It seeks to see to the bottom of things and is not meant to concern itself whether what actually happens is this or that. It takes its rise, not from an interest in the facts of nature, nor from a need to grasp causal connexions: but from an urge to understand the basis, or essence, of everything empirical. Not, however, as if to this end we had to hunt out new facts; it is, rather, of the essence of our investigation that we do not seek to learn anything new by it. We want to understand something that is already in plain view. For this is what we seem in some sense not to understand." Id., p.42, §89. []
  26. Id., p. 50, §126. []
  27. Art. cit., p.223. []

II Seminário Nacional de Certificação Digital (SP)

O II Seminário Nacional de Certificação Digital, evento que apresentará os usos e benefícios da certificação digital no padrão da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil no estado de São Paulo, será realizado no mês de abril, na capital paulista, paralelamente a 19ª Cards Payment & Identificantion, maior feira de tecnologia para o setor de cartões, meios eletrônicos de pagamento, identificação e certificação digital da América Latina.

Realizado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI e pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital – Abrid, o II Seminário contará com a participação de diversos palestrantes dos mais variados setores, fiscal, judiciário e médico, por exemplo, que irão detalhar os sistemas e aplicações que fazem uso do certificado ICP-Brasil e os benefícios alcançados com o uso da tecnologia.

O diretor-presidente do ITI, Renato Martini, destaca o sucesso do I Seminário, realizado em 2013, e fala das expectativas para o que será realizado neste ano. “O Seminário Nacional de Certificação Digital obteve uma grande aceitação em seu ano de estreia. Em 2014, esperamos tornar ainda mais claro o funcionamento e os benefícios da ICP-Brasil. O público esperado é muito qualificado, e poderá, através do que for apresentado, ter boas ideias para novas aplicações com uso da certificação”, destacou Martini.

Em breve, estarão disponíveis no sítio do ITI mais informações sobre o II Seminário Nacional de Certificação Digital, como a programação completa, data de início das inscrições, que serão gratuitas, e horários do evento.

II Seminário Nacional de Certificação Digital Local: Transamerica Expo Center - Avenida Doutor Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro - São Paulo/SP Contato: Assessoria de Comunicação - ASCOM/ITI - email: comunicacao@iti.gov.br Telefone: 55 (61) 3424-3892

 
Revisão v. 1.0
 

Da Biometria. Uso e definições

Tenho defendido publicamente o uso da biometria. Tenho igualmente defendido seu uso de forma integrada com as plataformas de certificação digital na ICP-Brasil1. Assim o fiz em vários seminários e debates, assim como nas reuniões ordinárias do Comitê Gestor da ICP-Brasil, que coordeno na qualidade de Secretário-Executivo. Mas tenho um ponto de vista crítico para esta integração. A tecnologia da certificação digital e seu uso com as medidas biométricas podem e devem ser otimizadoras de ambos em aplicações em geral. De certa forma, esta visão vale para qualquer tecnologia e plataformas que aparentemente parecem concorrentes ou contraditórias entre si, mas que são perfeitamente complementares, isto é, uma não exclui absolutamente a outra, mas sim se completam numa aplicação qualquer.

A biometria como se sabe é um segredo compartilhável, tal como é uma senha comum, mas que se violado não aceitará nenhuma forma de "revogação". E diferentemente de minha chave privada que devo armazenar num dispositivo FIPS140, resistente à violação. E que se perdida — por uma razão qualquer — posso eletronicamente revogar o certificado digital associado a tal chave criptográfica2. Portanto, se posso fundir e usar ambas as tecnologias em meu dia-a-dia tanto melhor será.

Ainda que tenha esta característica de ser compartilhável, e que possa mesmo ser compartilhada indevidamente, e passível de se formar uma grande base de dados biométricos fora do controle da lei, formando verdadeiros catálogos do indivíduos de uma comunidade; também de sofrer com a evolução natural de qualquer organismo vivo (traumatismos, etc.) e mesmo o envelhecimento (que alguns pesquisadores de Kent tentam questionar), ainda assim e apesar de tudo, a biometria tem tido grande aceitação e uso.

A meu ver, o sucesso da biometria se explica por sua aceitação socialmente mais imediata. É infinitamente mais fácil de se compreender e explicar o uso da impressão digital, para pegar a biometria historicamente mais difundida3, que os esquemas de uma PKI e toda infraestrutura implicada na emissão de certificados digitais. Além do que, a vida social é preenchida de biometria. Se aceitamos a definição do International Biometrics Group - IBG como o "uso automatizado de características fisiológicas ou comportamentais para determinar ou verificar a identidade", pode-se constatar que a expressão do rosto que demostra "aceitação" ou "reprovação" (o "olhar reprovador do pai", o "olhar de zelo da mãe", o "olhar carismático do líder", etc.), fato tão comum na vida coletiva e privada, mostra que a vida social é por si só extremamente biométrica. Por isso mesmo, Thierry Piette-Coudol tem razão ao afirmar que as "relações jurídicas mais seguras dizem respeito a pessoas na presença física uma da outra. O que permite controlar pelo olhar (contrôler de visu) quem dá sua palavra a quem e pelo que, com algumas seguranças quanto ao momento, e mesmo sobre o local do engajamento recíproco".4

Uma compilação interessante do IBG, o Zephyr™ Analysis, mostra alguns critérios interessantes na opção por esta ou aquela tecnologia biométrica. Considerando que a Indústria jamais pensará em termos de "segurança absoluta"ou tecnologia perfeita. Pode-se compilar diferentes biometrias e suas capacidades de atender a certos critérios: (1) effort: esforço requerido pelo usuário no momento da obtenção da medida biométrica, (2) intrusiveness: o quão intrusiva é a tecnologia/coleta/uso da biometria, (3) cost: o custo propriamente dito do processo, e, por fim, (4) accuracy: a acurácia da tecnologia em determinar a identificação. O gráfico abaixo mostra que uma biometria ideal, e portanto, inexistente, alcançaria, o máximo de acurácia, o mínimo de intrusividade, o menor custo e, também, nenhum esforço pelo cidadão-alvo da coleta.

Aqui e como sempre vale ao gestor de TI o critério do caso a caso.

zephyr2002

Referências: International Biometrics Group: http://www.biometricgroup.com/ International Biometric Industry Association: http://www.ibia.org/ National Biometrics Test Center Collected Works: http://www.engr.sjsu.edu/biometrics/nbtccw.pdf The Biometric Consortium: http://www.biometrics.org/ Association for Biometrics: http://www.afb.org.uk/ BioAPI: http://www.bioapi.org/ SecureInfo.com: http://www.securiteinfo.com/conseils/biometrie.shtml

 
Revisão v. 2.35
 
  1. Por exemplo em recente audiência pública, na Câmara dos Deputados em 13/10/2013, na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. []
  2. O papel de uma autoridade certificadora num sistema de certificação digital é, entre tantas outras coisas, a emissão da chamada "lista de certificados revogados", que a AC mesmo assina com sua chave privada: "Cabe também à AC emitir listas de certificados revogados (LCR) e manter registros de suas operações sempre obedecendo às práticas definidas na Declaração de Práticas de Certificação (DPC). Além de estabelecer e fazer cumprir, pelas Autoridades Registradoras (ARs) a ela vinculadas, as políticas de segurança necessárias para garantir a autenticidade da identificação realizada". []
  3. Segundo pesquisa da IBG o market share da finger-scan em 2003 alcançava 52% do mercado, seguido pela facial-scan com 11.4%, números que acredito não foram alterados sensivelmente de lá para cá... []
  4. Ver: "La sécurisation de l’identité numérique passe par les certificats électroniques", http://www.observatoire-fic.com/la-securisation-de-lidentite-numerique-passe-par-les-certificats-electroniques-par-thierry-piette-coudol-avocat-au-barreau-de-paris/#sthash.xpI6pvjm.dpuf. []
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