Marx no capítulo sobre a natureza social da cooperação1
diz que:

"Em geral os homens não podem trabalhar em comum sem estarem
reunidos. Sua reunião é a condição mesma de sua cooperação".

Decorridos mais de cem anos, a possibilidade infinita de cooperação é uma
realidade com o uso compartilhado das redes computacionais, que nos
entregam as ferramentas necessárias para que possamos realizar a
capacidade humana da cooperação. São apenas ferramentas...

Claro que Marx fala sobretudo da grande indústria e do trabalho
dominantemente material, o capitalismo era para ele inseparável da indústria.
Imagine como criar a disciplina do trabalho, a rigidez do trabalho fabril, para o homem saído do mundo antigo...

"A Razão abstrata torna-se
concreta em uma dominação calculável e calculada,
sobre la natureza e sobre o homem ... se revela como a
de uma razão técnica: a produção e a transformação
de materiais físicos e humanos por um aparato regulado,
científico, construído para obter una eficácia
previsível e cuja racionalidade organiza e controla num
mesmo movimento coisas e homens, fábricas e burocracias,
trabalho e ócio."2

Mas vivemos hoje num mundo dominado pela indústria de bens intangíveis, ou seja, imateriais. Para produzir o software que irá calibrar uma turbina, trabalho complexo e de profunda engenharia, uma equipe de programadores não necessitará estar num mesmo galpão, -- digamos assim.

De fato a Sociedade da Informação não alterou o regime assalariado, que floresceu com a indústria e o capitalismo, mas radicalizou a relação entre o conhecimento e o trabalho, nas palavras de Max Scheler3:

"Esta conjunção é tão evidente, que a partir daí não pode existir nenhuma dúvida aobre a autenticidade da relação entre trabalho e conhecimento, tão característica de nossa civilização."

v.1.2

 

  1. Capital, L.I, Tomo 2, cap. 13 []
  2. Marcuse: Kultur und Gesellschaft I []
  3. Conhecimento e Trabalho, cap. I []