RenatoMartini.Net

Category: referência (page 1 of 3)

Facebook irá empurrar as senhas para o fim de seu uso

Não é fácil abandonar velhos hábitos, nem no mundo analógico, nem tampouco no digital. Por isso a palavra hábito vem do verbo latino habere, isto é, do ver "ter". Nós não temos em absoluto nossos velhos hábitos, mas sim eles nos têm.
O mesmo se passa com o velho uso da senha, será difícil abandonar, o que é de certa forma, o seu cômodo uso.
Redes sociais hoje dominantes em nossos dias têm o poder de alterar indubitavelmente velhos hábitos. Com seu uso disseminado no Brasil, o Facebook poderá ser mais um elemento par o abandono do par "login-senha". Espero sinceramente que sim, mas é preciso que o Brasil fique atento para que esta troca não seja por nenhuma outra armadilha, menos ainda no que se refere aos nossos sistemas de informação.

Veja o artigo... Facebook Pushes Passwords One Step Closer to Death | Wired Enterprise | Wired.com: http://www.wired.com/wiredenterprise/2013/10/facebook-yubikey/

 
Revisão v. 1.0
 

Esquecer senhas e PINs?

Para fazer frente ao esgotamento do par "login-senha" e o problema quase insolúvel do roubo de identidades1, a Sociedade da informação vai se virando. É o que mostra matéria recente "Forget passwords and PINs: Nymi bracelet replaces logins, keys and even wallets with your own HEARTBEAT", — e para resolver também os problemas da biometria tradicional, refiro-me a "impressão digital", a saber, o fato dela ser um falso segredo, um dado compartilhável, como o são senhas e PINs, que esta engenhoca é pensada.

O tal bracelete captura o ritmo cardíaco (HeartID) que mede a quantidade de força elêtrica gerada pelo coração humano, isto é, o ritmo cardíaco que é aferido num tradicional eltrocardiograma. Um algoritmo deve extrair algum tipo de frequência ou dados que nos individualizaria, que é efetivamente o que se quer. Ao aproximar-se de uma fonte que demanda a identificação, um terminal de pagamento, por exemplo, o bracelete por sua vez dispara o processo de medição, e, então, se comunica com o hardware demandante por bluetooth.

Sinceramente? Não indicaria uma solução dessas para ninguém. No entanto, podemos extrair alguns aprendizados.

  1. Soluções para identificação existem várias: senhas, biometria, certificados digitais. Cada um cumpre um papel, são mais ou menos robustas — combinadas tanto melhor.
  2. Soluções de identificação devem ser baseadas em padrões abertos: seus alrotimos de conhecimento da sociedade, implementáveis por qualquer fabricante; jamais segredo de uma única empresa, numa espécie de ambiente anti-concorrencial.
  3. Soluções de identificação devem usar padrões interoperáveis.
  4. Não existem soluções definitivas e absolutamente seguras em tecnologia — lembre-se do Titanic2, seus engenheiros o chamaram de unsinkable.

Referência:

http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2409992/Forget-passwords-PINs-Nymi-bracelet-replaces-logins-keys-wallets-HEARTBEAT.html?ito=feeds-newsxml

  1. Falo aqui um pouco sobre os problemas da identificação civil no Brasil []
  2. http://www.britannica.com/titanic/article-9072642. []

Privacidade, Desaparecimento e Internet…

Tenho uma visão muito pessoal sobre o tema "privacidade". Gosto de dizer que o senso comum não é sacrossanto para nada, muito menos para questões éticas e políticas. Privacidade virou uma dessas palavrinhas mágicas na Sociedade da informação. Não se sabe bem o porquê, nem como, mas todos querem defender a privacidade de si e dos outros. E geralmente estes paladinos acordam escrevendo no twitter e nas redes sociais, o que fizeram no café da manhã, a roupa que escolheram...

Nosso texto constitucional é sábio: ele fala em "direito à intimidade"1 — nossa primeira Constituição republicana de 1891 asseverara no seu artigo 71 que "a casa é o asylo inviolavel do individuo"2; salvo melhor juízo a palavra privacidade inexiste na Lei maior e em grande parte em nosso ordenamento jurídico. Presta-se a cuidar do direito à intimidade.No entanto, talvez comece lentamente a invadi-lo, mas entrará em grande parte aí de contra-bando. É tema importado da cultura norte-americana, que é profundamente individualista e que concebe a vida social de forma atomizada. Nada mais comum hoje do que transformar o assunto privacidade de forma obsessiva. E acabamos por repetir mecanicamente tal obsessão...

O exagero da "privacidade" leva à atomização e ao isolamento, ou mesmo, ao individualismo. O assunto vai longe. E aqui só quero provocá-lo com algumas anotações. O individualismo é uma experiência relativamente recente na história da humanidade, e se confunde com sociedade burguesa, até então a vida era dominantemente comunitária, coletiva, clânica. Lembro sempre de certo paradoxo do freudismo: a humanidade abriu mão da liberdade, dos instintos para ter a segurança da Civilização, da vida comunitária. Bauman resume tal paradoxo ao dizer3:

«O privilégio de "estar em comunidade" tem um preço: e somente é inofensivo, inclusive invisível, enquanto a comunidade continue sendo um sonho. O preço que se paga na moeda da liberdade, denominada de forma diversas como "autonomia", "direito à auto-afirmação" ou "direito de ser a si mesmo". Escolha o que escolher, algo se perde algo se ganha.»

Note que falo aqui de uma defesa exagerada, quase obsessiva. Se nada compartilho, nada divido, por fim, me isolo, atomizo — a vida em comunidade, nosso ser-com pressupõe uma certa invasão e doação. Assim, uma rede social pode ser exatamente o inverso, ou seja, a negação de indivíduos atomizados. É evidente que o uso comercial, não autorizado, não desejado de meus dados e informações pessoais é condenável (num outro post falei sobre PL que debate o uso não autorizado de nossas minúcias biométricas).

Habermas tem razão ao afirmar que nossa identidade brota de nossa alteridade, nasce de nossas relações com os outros.

«Somente numa rede de relações de reconhecimento recíproco pode uma pessoa desenvolver e reproduzir em cada caso sua própria identidade.» 4


Bizarrice maior a meu ver é o tal direito ao esquecimento ou ao "desaparecimento digital", ou coisa que o valha. Não sei se o leitor conhece a Hemeroteca Digital mantida pela Biblioteca Nacional. Convido-o a visitar, pois é o registro digital da maior parte do jornais de nosso país nos séculos passados, digitalizados e com direito à pesquisa por OCR.

Nessa horas penso: ainda bem que ninguém no século XIX defendia o tal direito (entre aspas, por favor) ao desaparecimento.


Referência:

  How To Disappear When Someone's Spying On You; 'Privacy Wear' Comes To Market - Radiolab.

 
Revisão v. 1.2
 
  1. Art 5o., X, "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação" []
  2. Consultar http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao91.htm []
  3. Community: Seeking Safety in an Insecure World. Polity Press: 2001, I []
  4. Habermas, Ética do Discurso []

Uso da biometria facial no Facebook – NBC News.com

De certa forma continuo minha nota anterior com esta matéria da rede NBC, que reporta o uso da biometria da face em suas bases de dados com o objetivo da integração e reconhecimento de seus usuários. Esta é a biometria mais usada em controle de fronteiras (border control), controle aeroportuário e também de filtragem de multidões. A única coisa que uma rede social tipo facebook é ser uma multidão.


Mais informações sobre biometria e border control aqui e aqui.


"The changes would come at a time when Facebook and other Internet companies' privacy practices are under scrutiny, following the revelations of a U.S. government electronic surveillance program.
Facebook, Google and other companies have insisted that they have never participated in any program giving the government direct access to their computer servers and that they only provide information in response to specific requests, after careful review and as required by law."

"Facebook may add your profile photo to facial recognition database" - NBC News.com

Olderposts

Copyright © 2017 RenatoMartini.Net

Theme by Anders NorenUp ↑