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Os computadores. Pior do que idéias ruins são os modismos de idéias

Antes da sociedade da informação, do mundo da internet, digamos assim para facilitar , o mundo dos computadores, dos cérebros eletrônicos da cibernética, como algo aterrorizador, posto que faria da vida comum algo mecânico e frio. Nos anos sessenta, talvez alguns se lembrem de uma velha canção de Taiguara que dizia: programar o amor em seus computadores. Este verso singelo expressa bem este espírito. Também era uma visão muito difundida, está na obra de Marcuse, por exemplo, a visão que a tecnologia, mais do que aumentar o domínio do humano sobre a natureza, faria ela também aumentar o domínio do homem sobre o homem.

Inquestionável que a tecnologia da informação trouxe uma visão mais luminosa à tecnologia e mesmo libertadora. As redes, as redes sociais, a Internet, enfim, todo este movimento que floresce em nossos dias, são impulsos mais libertadores que repressores. Alguns chegam a ver, e o que a meu ver é um equívoco e modismo singelo, na Internet causa das transformações na ideia de trabalho, democracia, de economia, etc.

Mas, incrível como Michel Tournier muitos anos antes conseguiu vislumbrar a capacidade da Web em vincular, indexar e registrar fatos da vida pessoal e coletiva, o que pode gerar, talvez, pulsões que nos levem a forças tremendamente repressoras.

Os computadores apresentam um perigo para a sociedade futura? Acredito que há poucos riscos que os computadores mais inteligentes, que os homens mais dotados, se beneficiem disto para tomar a direção dos assuntos do mundo e reduzam o homem à escravidão. E, aliás, se assim fosse, não seria melhor em suma que o mundo fosse dominado por um robô, se este robô fosse mais sábio que o mais sábio dos homens? Penso que o perigo está alhures. A única faculdade que possui o computador num degrau sobre-humano é a memória. Ora, a acumulação do passado é em certos limites um trunfo importante, mas é também um fardo, um balastro que na natureza muito sabiamente se libera para cada nova geração já que o saber dos pais não se transmite hereditariamente aos filhos. Há na França uma infâmia no sistema judiciário que palidamente prefigura o flagelo que poderia se tornar o computador, é a instituição da ficha judiciária e sua liberação por registro sob demanda. Graças a ela, um homem que foi condenado e que pagou sua pena continua a trazer com ele uma indignidade que o condena ao desemprego e à reincidência. Pouco se imagina o que tornar-se-á nossa vida quando um robô registrar todos nossos atos, todas nossas palavras e nos confrontará incessantemente com esse peso morto esmagador e ameaçador. A faculdade de tudo apagar e de começar de novo, é infinitamente preciosa e se incarna no nascimento da criança e mais modestamente no sono noturno e no despertar de manhãzinha. O homem que possuísse uma faculdade de esquecimento total, a amnésia absoluta, seria imortal. (Journal Extime, pp.234-5.) Pensamos num bom tirano que suprimiria com um rabisco o estado civil, a cédula de identidade, passaporte, registros de toda ordem, fichas judiciárias, em suma, todo este fantasma de papel cuja utilidade supondo que exista é sem relação com o trabalho e os vexames que ela custa. (Le Roi des Aulnes, ed. Folio/Gallimard, p.65)

 
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Biometria para a França em pesquisa do CNIL

Estudos sociológicos e econômicos sobre os impactos das novas tecnologias são fundamentais para a tomada de decisões, seja no setor público ou seja no privado. Claro é que ter bons e sólidos fundamentos técnicos para plataformas tecnológicas é essencial, sejam padrões de interoperabilidade, de visão de segurança da informação, engenharia de software, hardware/software, etc., mas igualmente ter uma boa noção do alcance e impacto social da tecnologia é tão fundamental quanto técnica em si.

Poucos estudos foram publicados sobre a percepção que os franceses têm sobre o uso da biometria. Para medir os desafios que que se perfilam em termos de proteção dos dados, trata-se de avaliar o grau de acitabilidade social desta tecnologia. É neste cenário que o CNIL francês apoiou a pesquisa do Centre de recherche pour l'étude et l'observation des conditions de vie - CRÉDOC.

Os resultados deste trabalho evidenciaram que uma maioria de franceses favoravelmente ao uso legal da biometria, e apenas em duas situações precisas:

1.Nos aquivos policiais com o objetivo da pesquisa de infrações (76 %)
2.Identidade civil (65 %)

Mais informações: Les Français plutôt réservés sur l’usage de la biométrie dans la vie quotidienne, selon une étude du CRÉDOC.

 
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